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Archive for the ‘Contos e Crônicas’ Category

“Scrap Brain Zone”

Ok, mais uma vez.

Chega dessa constante luta com um pedaço de papel em branco. Pior ainda, não temos nem mais a dignidade do papel. Agora lutamos contra um documento do Word. Talvez o segredo esteja ai, não importa o formato. Não temos que lutar com o meio, temos que trazê-lo pra nossa vida.

Mas com o papel, pelo menos podemos amassá-lo, jogá-lo fora. E assim parecer estar fazendo alguma coisa. Às vezes imprimo coisas só pra poder jogá-las fora.

Tudo isso me deprime um pouco.

Mas tudo bem, pela última vez. Com sentimento.

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Você que faz o sentido

Dentro.

– Argh.

– O que foi?

– Eu não aguento mais, estou com uma coceira insuportável no pescoço. Alergia ou algo assim, eu não sei muito bem o que é.

– Costuma ter isso?

– Não, não, nunca tive nada assim. Bom, já tive coisas, mas não no pescoço e dessa forma. Bom, você entende.

– Pode ter algo a ver com o seu cachecol, aparentemente é bem onde está o seu cachecol.

– Será? Não, não. Não deve ter nada a ver.

– E você tem o costume de usar cachecol?

– Não, na verdade não.

– Então.

– Então o quê?

– Pode ter algo a ver.

– Será mesmo? Bom, nem é meu esse cachecol. Nem sei por que eu estou usando isso agora.

– Tire o cachecol, veja o que acontece.

– Deve ser né? Aposto que o problema realmente é o cachecol. Estou começando a achar que é isso mesmo.

– Tira.

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730 dias sem ela

É engraçado como todas as coisas na minha vida costumam se encaixar. Digo que, todos os fatores, objetivos e subjetivos se unem em um grande sentido. Muitas vezes caótico, claro. Bastante caótico. Mas não caótico caótico, como o mundo explodindo e pessoas sofrendo, não chega a ser algo tão grande assim. É algo caótico para mim e como eu disse, tudo bastante subjetivo. E essa é uma sensação que eu tenho constantemente, desde que eu me entendo por gente. É uma coisa que me persegue, realmente me persegue.  Não quero ser simplesmente mais uma daquelas pessoas que reclamam de tudo e de como a vida é ruim, e que elas não tem sorte pra nada e tudo mais, mas é meio inevitável eu comentar que é mais ou menos assim. Para mim a minha vida é realmente uma grande conspiração do universo. Sinto que eu sou apenas um grande experimento de entropia, sendo observado por alguma força maior. Tá bom, tá bom, eu não estou passando fome nem nada, levo uma vida normal. Mas sou perseguido por essa ironia que só eu entendo. Realmente eu. E simplesmente não posso parar de pensar que às vezes, minha vida é foda. Ah, no mal sentido da palavra, só pra deixar claro.

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As pessoas que mais gosto têm preguiça de mim

ELA.

Então começou de novo o meu cansativo ritual da cozinha, o processo se repetia como todas as vezes. Eu realmente deveria começar a ir menos até a cozinha, sabendo que este simples ato cotidiano implica nesse tremendo cansaço mental. De verdade. Mas o que eu posso fazer? Tenho que comer também né? O problema não é o lugar em si, eu gosto de cozinhas. Elas são (geralmente) muito limpas, brancas e cheias de utensílios que ninguém sabe pra que servem.  Acho que esse que é o problema. Pensem bem, até a menor das cozinhas é um grande oásis de organização dentro da mais suja das casas. Bom, acho que se alguém não lavar a louça e deixar as coisas fora do lugar isso ia ser quebrado, mas eu gosto de acreditar que todos cuidam das suas cozinhas. Eu faço o máximo pra cuidar da minha (que é bem grande), organizando gavetas, armários, potes e panelas. Milhares de pequenas coisas para me entreter. Resumindo, a cozinha é um lugar muito cheio de detalhes pra uma mente perigosamente minuciosa como a minha. De verdade, eu me perco nos detalhes. Vou para o meu mundo. Esse é o meu lugar de paz. Considero um parque de diversões portátil dentro da minha casa, sério. E ainda posso comer de graça nela.

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De cachos dourados e dedos dançantes

– E aqui estou eu, nesse belo hotel em Santa Tereza para o casamento do William e da Tina.

– Que bom, não é mesmo?

– Santa Tereza! O que eu estou fazendo aqui raios!? Quantos habitantes tem esse fim de mundo? Uns 200?  E desses 200, devem ter no mínimo 199 nesse casamento.  No mínimo 199! Porque eu tenho certeza que o William não ia convidar aquele cara ali. Há! Certeza.

– Qual cara?

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Ode à camiseta.

Hoje vai ser uma merda.

Foi o que eu rapidamente disse logo após olhar para o meu armário. Apenas uma camiseta limpa, uma camiseta. E uma camiseta que eu particularmente odeio. Acho que a minha mãe que me deu em algum natal, Bar Mitzvá ou dia do carteiro, algum dia desses. Não joguei fora por puro respeito (Ou talvez preguiça, provavelmente preguiça.) Incrível como jogar algo fora, às vezes necessita de uma quantidade de trabalho ainda maior do que adquirir alguma coisa. E Essa específica camiseta consegue reunir em um só objeto costurado todas as coisas que realmente me irritam no universo. Comecemos pelo princípio, bem no princípio.

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Vivo Pouco, Mas Esse Pouco Me Transforma em Outra Pessoa, e Essa Pessoa Vive Muito.

Andava de carro com uma amiga, já não me lembro que dia que era. Mas acho que era algo mais meio da semana, como quarta ou quinta. A vida me ensinou que grandes eventos sempre acontecem nos “piores” dias da semana. Não grandes eventos em custo ou esforço para que seja realizado, não é isso. Grandes eventos no significado, aquelas coisas que por menor que sejam, conseguiram um espaço significativo na nossa seleta memória. Ao longo da vida, todos os eventos que realmente significaram algo para mim, aconteceram em uma quinta-feira. Logo em uma quinta-feira, que é certamente o dia mais mal localizado da semana. E não digo no sentido de ser um dia ruim, é muito pior do que isso. Domingo sim é um dia ruim, incomoda a tudo e a todos. É o mártir dos dias da semana. Domingo está mais do que acostumado a ser crucificado todo… Bom, todo domingo. Já quinta, não fede nem cheira. É só mais um dia da semana, que não é no meio nem no final, e muito menos no começo. Acho que de certa forma eu sempre me senti um pouco quinta-feira. Talvez por isso que seja o meu dia.

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